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Altamiro Fernandes
A vida em verso e prosa
Textos

*Feliz Natal e Próspero Ano Novo*

 

Às minhas diletas amigas – ilustres poetisas e escritoras fantásticas! Aos meus ínclitos e conspícuos amigos – ilustres poetas e escritores fantásticos!

 

A todos vocês, membros deste nosso Sodalício Recantista, recebam os efusivos votos de um Felicíssimo Natal e um Próspero Ano Novo repleto de realizações pessoais, onde a saúde seja o item predominante em todos nós!

Ainda não estou no meu melhor momento. O ano, ora findo, fora de muitas reviravoltas em minha vida. Passei por vários problemas que – graças ao Nosso Bom Deus – foram superados. Tenho um Time de Amigas – permitam-me declinar nomes – que muito oraram por mim, ligaram para mim preocupadas com a minha saúde. A esse querido Time de Amigas – diletas e inesquecíveis amigas – os meus mais efusivos agradecimentos pelo carinho demonstrado.

 

Aos poucos, quero voltar a escrever e ler o coração de cada um destes meus amigos/amigas escritores(as) deste nosso Sodalício Recantistas. Quando escrevemos, estamos dizendo aos nossos leitores aquilo que nos dita o coração. Portanto, quando degustamos um texto, temos a certeza de que “aquilo que se encontra escrito foram palavras ditadas pelo coração de quem escreveu”.

 

Criei uma paródia para a música parabéns prá você. Tive o objetivo de que ela possa vir a ser cantada neste dia de Natal, visando homenagear ao nosso ilustre, esquecido e solitário aniversariante Jesus!

A letra/paródia diz-nos assim:

 

Parabéns Prá Jesus

 

Parabéns prá Jesus,

Nesta data querida,

Obrigado Jesus Cristo

Por doar-nos sua vida!

 

Parabéns prá Jesus,

Com carinho e louvor

Obrigado Deus Jesus

Por nos dar tanto amor!

(Vivas para o Deus Filho Jesus Cristo! Vivas!...)

                                                   ~~*~~

Abaixo, temos uma crônica de triste e crônica realidade, cuja mesma levou-me a escrever esta paródia. Espero que todos não se esqueçam d’Ele, o triste aniversariante que tanto fez e faz por todos nós.

 

*Esqueceram de Mim*

 Altamiro Fernandes da Cruz

Intróito:

 

O despertador toca insistentemente despertando-o. Irritado, ele desperta, se espreguiça, esfrega os olhos inchados pela longa hibernação. Em seguida, abre a bocarra em escandaloso bocejo. -Arre! Já é chegado o tempo de acordar-me? Ainda é muito cedo para isso, pô! – esbraveja!

 

O despertador não era um relógio comum, não era um mero marcador das horas que, pachorrentas, passavam. Ele marcava o período mensal. E o mês de dezembro que chegara célere, acordando o irritado Solidário Espírito Natalino. Queria ele continuar dormindo o sono dos justos.

–Acordar-me para quê? Seria tão bom deixar-me continuar dormindo! – resmunga! Mesmo sabendo que esta é a sua missão, resmunga! Estamos no mês de dezembro e tenho que espargir a solidariedade no coração de toda a humanidade.

 

Eis aí, uma insofismável e tristonha realidade: o solidário Espírito Natalino só se faz presente nas festividades natalinas, quando – e sem sofismas – deveria se fazer presente, em todos os átimos temporais, em nossos corações. Contudo, isso não acontece. “O brasileiro só é solidário no câncer”! (Nelson Rodrigues) Estamos de frente da mais insofismável das verdades: A Morte da Solidariedade!

 

Dezembro chegou. E mesmo ostentando a sua má vontade, o Solidário Espírito Natalino paira no ar, buscando bons corações. Bons corações hoje são raridades. E agora José? O amor ao próximo raríssimo é. E agora, José? Solidariedade não há mais. Boas coisas – pouco há ou quase mais nada há! E agora (Eu, Tu, Ele, Nos, Vós e tantos outros Eles.) Josés? E agora?...

 

O predominante Espírito da Gastança se faz presente, expulsando todos os bons sentimentos que antanho havia nos bons corações. A festa pede que todos se fartem e se embriaguem na essência do Baco nas luxúrias dos festins ao deus Eros! É tempo, para que todos possam exibir o seu exacerbado narcisismo – maior que aquele que matou o excêntrico Narciso – afogado no lago ao admirar sua própria beleza. E lá vão os Josés e as grã-finas do exibicionismo a distribuírem as falsas solidariedades despertadas na época do Natal.

 

Os Shoppings – e as “lojinhas das pontas de esquinas – estão abarrotados. Caríssimos brinquedos são disputados aos tapas e safanões. As “grã-finas de nariz de cadáver” (Personagem do imensurável dramaturgo Nelson Rodrigues) desfilam elegância e ostentações que o poder econômico a elas confere.

-Neste Natal, quero fazer uma boa ação, bem diferente das demais. Quero visitar um orfanato, escolher uma criança – de preferência bem pretinha – para passar o Natal na minha mansão! Tudo isso estará sendo filmado para ser postado na minha página social.

-Querida, isso vai quebrar a internet! – comenta a cadavérica grã-fina de nariz de cadáver à sua frívola amiga!

-Miga... isso vai bombar! Boa ideia! Vou fazer o mesmo! – aplaude a tonta e cadavérica “miga”!

 

Parte I:

 

A que ponto chegamos, Santo Deus? As pessoas – “boníssimas pessoas” (Sic!) – dirigindo-se a um orfanato para pegar uma criança abandonada, como se ela fosse um produto à venda nos luxuosos Shoppings. E o pior: terminadas as festas, esta inocente criança – que viveu uma realidade utópica – é acordada para a triste realidade distópica que a vida a ela impusera: a volta a um orfanato onde o Espírito da Solidariedade permanece desperto em todos os dias e meses do ano porém, muito carente e diferente daquilo que ela sonhava.

 

Indago aos meus botões: -O que se passa pela cabeça – se é que elas a têm – das pessoas que agem assim, com o fito de – tão somente, diga-se – aparecerem em suas páginas sociais, ferindo o sentimento das inocentes crianças ao fazê-las acreditarem na existência de um mundo melhor?

Os meus botões – ante tantas maldades – não me responderam! – estão silentes... silentes permaneceram... silentes permanecerão!

 

Epílogo:

 

Estamos à frente do que se transformou aquela que era a mais linda Festa da Cristandade, marco supremo da chegada do Salvador Jesus Cristo ao nosso mundo para ao nosso mundo salvar. Todavia – em um animalesco ato covarde – O assassinamos com a mais abjeta de todas as formas de maldades: a Crucificação! E Ele, ascendendo-se às alturas teve ainda, o gesto magnânimo ao Pai: -Perdoa-lhes Pai... eles não sabem o que fazem! (Mas sabiam sim, viu Jesus? Ah..., sabiam sim!)

 

É Natal! A época é a da comilança, da gastança e dos licenciosos festins ao deus Eros! É a época de demonstrarmos, nas redes sociais, a nossa solidariedade (Sic!), que estivera dormindo, durante todos os meses do ano.

 

De tudo todos se lembram! Presentes são dados, vinhos são degustados, mas o principal é o Aniversariante, mas Ele é esquecido!

- Mas, quem está aniversariando? – indago! Respostas não as tenho! Então me lembro do que Ele dissera no ato da covarde crucificação:

-Perdoa-lhes Pai, porque “todos eles sabem” o que fazem e – de há muito – já se Esqueceram de Mim!

~~*~~

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Altamiro Fernandes da Cruz
Enviado por Altamiro Fernandes da Cruz em 25/12/2025
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